Bem-humorado e extrovertido, o norte-americano David Perry viaja o mundo com uma nobre missão: educar as pessoas, principalmente, as crianças no quesito segurança na internet. Seu trabalho como diretor global de educação da Trend Micro inclui alertar para o crescimento da incidência das ameaças dirigidas, como ataques que fazem uso da engenharia social - o que ajuda em sua camuflagem, tornando-os mais propensos a "enganar" as vítimas. "Antes, eram três ou quatro vírus por mês; hoje, são mais de cem por dia", destaca o especialista, que construiu sua carreira em empresas de segurança digital.
Ao longo dos anos nessa trajetória, Perry já se acostumou a ter de explicar que as companhias que fabricam os antivírus não são as que criam os vírus, uma ideia que figura no imaginário de muita gente. "As pessoas também têm dificuldades, porque até pouco tempo atrás os vírus não eram visíveis e depois se começou a achar que só infectavam por e-mails."
Em suas palestras e também nas entrevistas que concede - como quando falou com o portal IT Web -, o especialista tenta passar da história e das transformações desse mercado. A principal diferença é com relação do objetivo do hacker, que antes almejada a popularidade. Ou seja, a disseminação de vírus tinha como pano de fundo tornar o cibercriminoso conhecido, travar operações e tirar empresas do ar.
No entanto, hoje, o objetivo principal dos criminosos é roubar dados. Assim, quanto menos percebido o vírus for para o usuário infectado, melhor. "Por isto, as empresas de antivírus têm de parar de olhar para o vírus e investigar de onde eles vêm, criando sistemas baseados na reputação do IP", explica.
De acordo com relatório da Trend Micro, a motivação dos ataques dirigidos varia de acordo com os países onde ocorrem. No Brasil, o objetivo maior é o roubo de informações bancárias - 80% dos casos, acima dos 40% dos ataques em outros países da América Latina. Já na China, a motivação maior é disseminar opiniões de ativistas, que protestam contra o rigor do governo excessivo para com a internet.
Segundo a Trend Micro, em seis meses (de julho de 2009 até janeiro de 2010) houve crescimento de 93,5%, com a principal motivação uma característica específica do mercado brasileira, essas ameaças buscam por informações bancárias.
A fabricante de antivírus também alerta para os sites que usam "encurtadores" de URLs, como o Twitter, pois os usuários podem clicar em um link que vem pela mensagem de um amigo e, por confiar em quem está enviando a mensagem, clicam no link reduzido sem saber que ele carrega um endereço malicioso.
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